Phantasma de Kaylie Smith

Foi daqueles livros que me apanhou completamente desprevenida e me deixou em modo “só mais um capítulo” até ao fim, porque é Dark Romantasy no ponto certo: sombrio, viciante e com aquela atmosfera sobrenatural que eu devoro sem pensar duas vezes.

Há duas coisas que, para mim, fazem esta leitura funcionar tão bem e elevá-la acima de muita romantasia que anda por aí. A primeira é a forma como a autora pega em espíritos, fantasmas e necromantes — que são, sem dúvida, os meus grandes vícios literários — e constrói um mundo que não parece apenas decoração, mas sim uma parte viva da história, com regras e consequências próprias.

A segunda é o romance, que não surge apenas para cumprir calendário, mas sim para intensificar tudo, desde a tensão às escolhas e aos conflitos. Adorei a forma como o livro foge ao “preto e branco”, mostrando que nem toda a escuridão significa maldade automática e que nem toda a figura demoníaca tem de ser um vilão unidimensional. Isso dá um sabor extra à história, pois obriga-nos a questionar o que é realmente monstruoso e o que é apenas incompreendido, no melhor sentido possível.

Outra coisa que apreciei imenso foi a clareza com que a autora trabalha os conceitos do género, ao ponto de me ajudar a distinguir melhor figuras como necromantes sem nunca transformar a narrativa numa aula aborrecida. Acima de tudo, fica aquela sensação rara de terminar um livro único e sentir que não ficou absolutamente nada pendurado. A narrativa fecha, responde, explica e, ainda assim, mantém aquele gostinho de “quero mais”.

A escrita é fluida e visual, garantindo que o ritmo nunca se arraste. Quando chegam as partes mais intensas, incluindo as cenas mais quentes, elas não parecem gratuitas; são bem escritas, bem cronometradas e suficientemente demoradas para serem satisfatórias, sem nunca estragar o pacing ou matar a tensão acumulada. No fim, fica aquela sensação deliciosa de uma leitura completa, com atmosfera, romance, dark vibes e um enredo que sabe exatamente o que está a fazer. Se gostas de Dark Romantasy com um toque de “isto é questionável, mas eu estou a adorar”, então Phantasma é, muito provavelmente, o teu próximo grande surto literário.

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