Ainda estou a processar este livro… Império de Tempestades é, sem dúvida, o melhor volume da série até agora. A sensação ao ler é que tudo aquilo que foi cuidadosamente construído nos livros anteriores finalmente explode aqui – em emoções, em conflitos e em revelações. Acontece tudo neste livro.
Cada capítulo parece um jogo de estratégia. Quando começamos a achar que já percebemos as regras, Sarah J. Maas muda o tabuleiro e mostra que está sempre alguns passos à nossa frente. E, no centro de tudo, está Aelin Galathynius. Ela é uma verdadeira megamind: calculista, brilhante e cheia de cartas escondidas na manga. Muitas vezes tive a sensação de que nunca vou conseguir acompanhar totalmente o raciocínio dela – e isso é delicioso enquanto leitora, porque estamos sempre a ser surpreendidos.
A narrativa é um constante “plot atrás de plot”, sem uma única página de sossego. Não há capítulos de enchimento; tudo tem peso e consequência. As diferentes linhas narrativas vão-se cruzando numa teia muito bem montada, e é impressionante ver como pequenas coisas ditas ou feitas em livros anteriores ganham um novo significado aqui. É aquele tipo de livro em que até um simples diálogo pode ser uma jogada decisiva.
Para as leitoras ávidas de cenas smut, este livro também entrega. O tão aguardado momento chega no capítulo 38, e posso dizer que vale a espera de vários livros. A cena é intensa, romântica e, acima de tudo, muito bem escrita. Não é gratuita: vem carregada de crescimento emocional das personagens e de tudo o que passaram até ali, o que torna tudo ainda mais satisfatório.
Mas, apesar de o slow burn finalmente acabar, a sensação que fica é que a realidade se torna muito, muito pior. Quando as relações se consolidam, os riscos sobem, e as personagens têm muito mais a perder. A partir de certo ponto, o livro deixa claro que ninguém está verdadeiramente a salvo, e isso traz um peso emocional grande à leitura. Alguns momentos são de cortar a respiração e outros de cortar o coração.
Outra coisa que gostei bastante foi a forma como Maas trabalha o lado político e militar. As alianças, as traições, as promessas antigas e os juramentos quebrados criam um cenário de guerra iminente que nunca deixa de ser pessoal. Não é apenas um conflito entre reinos; é um confronto direto com o passado das personagens, com as escolhas que fizeram e com o preço que têm de pagar agora.
Senti também que este é o livro em que começo, oficialmente, a pertencer ao grupo que apoia incondicionalmente Trono de Vidro. Até aqui eu gostava da saga; depois de Império de Tempestades, passei a estar emocionalmente comprometida. A melhor parte é saber que a série já está terminada e que posso seguir diretamente para os próximos volumes sem esperar anos por lançamentos.
Termino esta leitura com o coração apertado e a cabeça cheia de teorias. Venham os próximos dois livros, e que Mala, Deusa do Fogo, permita que sejam tão bons – ou ainda melhores – do que este.
