A Meta de Elle Kennedy

Série Off-Campus 4

Chego ao fim deste livro a pensar: “o amor é a meta”.

É sempre um regresso aconchegante ao universo de Briar, daqueles que nos fazem sentir que estamos a voltar a casa. E, honestamente, este livro deixou-me com o coração cheio — não só pelo romance, mas por tudo o que a história traz de crescimento, de família e de realidade.

Que livro bom e, por vários motivos, o Tucker é facilmente um dos homens mais doces, cavalheiros, compreensivos, pacientes e seguros que já tive a oportunidade de “conhecer” em livros. Ele tem aquela energia de porto seguro: não tenta controlar, não tenta salvar ninguém à força, simplesmente fica. Está presente, ouve, apoia e, acima de tudo, ama sem fazer disso um jogo. É o tipo de personagem que nos faz suspirar porque parece impossível alguém ser assim… e ao mesmo tempo é exatamente por isso que sabe tão bem ler.

A Sabrina, por outro lado, é forte, resiliente e extremamente teimosa. Ela tem objetivos muito bem definidos, um foco quase inabalável e uma necessidade constante de manter tudo sob controlo. Dá para perceber que essa armadura não é “mau feitio” só porque sim — é defesa, é sobrevivência, é medo de fraquejar, medo de depender de alguém, medo de perder o rumo. E embora a teimosia dela às vezes me tenha tirado do sério (houve momentos em que, juro, me apeteceu bater-lhe), também me foi impossível não sentir carinho por ela. A Sabrina tem um coração bom demais para o poder entregar a qualquer um, e por isso protege-o com unhas e dentes.

E é aqui que os dois brilham juntos: porque se completam. O Tucker não apaga a Sabrina nem a diminui; ele dá-lhe espaço para existir como ela é, sem exigir que ela mude de um dia para o outro. E ela, aos poucos, vai aprendendo a deixar-se ficar, a confiar, a aceitar ajuda e a admitir que amor não é fraqueza — é escolha e coragem. Estando o “terceiro elemento” presente, estes dois (três) acabam por formar o casal e a família mais forte de sempre, e eu adorei ver isso a acontecer.

Acompanhar a gravidez com estes dois mexeu comigo. Ver o desenrolar das suas histórias, as inseguranças, os medos, as decisões, os tropeções e os momentos de ternura fez-me ir, por diversas vezes, às lágrimas. Foi daqueles livros que me apanhou desprevenida, porque há coisas que tocam num sítio muito específico dentro de nós. E foi bom — mesmo quando doeu — ver que não fui a única a passar por tais coisas, ou a sentir certas ansiedades e pressões.

A Elle Kennedy continua fantástica a escrever. As cenas hot são ótimas e bem escritas, e encaixam na história sem parecerem gratuitas. Há química, há intimidade, há emoção — e isso faz toda a diferença. Mas o que mais me marcou, mais uma vez, foi a forma como ela pega em temas sensíveis e os integra na narrativa. Aqui, a gravidez é um deles, mas também o abuso que a Sabrina foi passando com o padrasto. E aqui é importante dizer: não chegando a ser físico, o psicológico não deixa de ser abuso. A forma como isso aparece, como pesa e como deixa marcas está bem escrita e parece efetivamente real, sem dramatizações desnecessárias, mas também sem suavizar o que não deve ser suavizado.

No fim, fiquei com aquela sensação de satisfação e aperto no peito ao mesmo tempo, porque é um livro que dá conforto, mas também nos faz pensar.

Eu adoro a Briar.

Adoro voltar a este universo, aos personagens, às dinâmicas, aos surtos e aos momentos doces. E, embora tenha adorado o Tucker, o meu coração continua a ter um dono.

P.S.: Garrett.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *